Como as VPNs grátis ganham dinheiro?

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Servidores custam dinheiro, então uma VPN grátis é paga por assinantes, por anúncios ou por você. Algumas VPNs grátis e apps de privacidade coletaram dados de navegação e de uso de apps e os venderam a empresas de análise, investidores e anunciantes, ou alugaram a conexão dos usuários como proxy. Um plano pago claro é o melhor sinal.

Silhueta de uma pessoa caminhando à noite enquanto olha para o celular
Foto: Roman no Unsplash

Cada gigabyte que passa por uma VPN custa dinheiro para a empresa: servidores, banda, equipe. Quando um app é grátis, outra pessoa está pagando a conta. E a VPN está numa posição única para ver o que você faz: todos os sites e todos os apps do seu celular mandam o tráfego por ela. É por essa combinação que "como essa VPN grátis ganha dinheiro?" é a pergunta mais importante a fazer antes de instalar uma.

As três formas de uma VPN grátis se pagar

ModeloQuem pagaRisco para você
FreemiumOs assinantes pagantes bancam o plano grátisBaixo: o plano grátis é uma amostra de um produto pago
AnúnciosAnunciantes pagam para mostrar anúncios no appMédio: incomoda, e os SDKs de anúncios rastreiam você dentro do app
Seus dados ou sua conexãoCompradores de dados, ou quem aluga a sua conexão de internetAlto: a VPN vende justamente o que você instalou para proteger

Os dois primeiros são negócios normais. O terceiro é o que você deve evitar, e não é teoria. Veja o que já aconteceu de verdade.

Casos reais

Onavo: uma VPN nas mãos de uma rede social

O Facebook comprou a empresa israelense de VPN Onavo em 2013. O Onavo Protect era vendido como um app grátis que mantinha você seguro, enquanto os dados de tráfego mostravam ao Facebook quais apps estavam crescendo. Segundo reportagens da época, esses dados embasaram a compra do WhatsApp. A Apple tirou o app da App Store em agosto de 2018 por coletar dados sobre outros apps. Documentos judiciais divulgados em 2024 numa ação coletiva nos EUA descrevem o "Project Ghostbusters", em que o Onavo foi usado para descriptografar tráfego de análise do Snapchat e, depois, do YouTube e da Amazon.

Sensor Tower: VPNs e bloqueadores de anúncios de uma empresa de análise

Em 2020, o BuzzFeed News descobriu que a empresa de análise de apps Sensor Tower era dona de pelo menos 20 apps, entre eles Luna VPN e Free and Unlimited VPN, sem informar isso nos apps. Alguns pediam ao usuário que instalasse um certificado raiz que permitia à empresa ler o tráfego criptografado. Os apps somavam cerca de 35 milhões de downloads. A Sensor Tower vende dados do mercado de apps para empresas.

Avast e Jumpshot: histórico de navegação vendido por anos

Não é uma VPN, mas é o mesmo padrão vindo de uma marca de privacidade. A Federal Trade Commission (FTC) dos EUA concluiu que a Avast coletava dados de navegação pelo antivírus e pelas extensões de navegador desde pelo menos 2014 e os vendia, por meio da subsidiária Jumpshot, a mais de 100 terceiros, enquanto dizia aos usuários que seus produtos bloqueavam o rastreamento. Em 2024, a FTC mandou a Avast pagar US$ 16,5 milhões e a proibiu de vender dados de navegação para publicidade.

Hola: sua conexão alugada para desconhecidos

A VPN grátis Hola fazia o tráfego passar pelos aparelhos dos próprios usuários. A partir do fim de 2014, a empresa-irmã Luminati vendia acesso às conexões desses usuários) como nós de saída para clientes pagantes. Em 2015, a rede foi usada para atacar um site. A Hola disse que isso fazia parte dos termos do plano grátis e atualizou o FAQ para deixar isso mais claro.

O quadro geral

Um estudo de 2016 com 283 apps de VPN para Android, feito por pesquisadores do CSIRO e da UC Berkeley, descobriu que 67% incluíam pelo menos uma biblioteca de rastreamento de terceiros, 38% foram sinalizados como malware ou adware e cerca de 18% nem criptografavam o tráfego.

Quem compra esses dados

  • Empresas de inteligência de mercado querem saber quais apps e sites as pessoas usam, quanto e com que frequência. Elas vendem esses relatórios para marcas, desenvolvedores de apps e investidores.
  • Investidores e fundos de hedge compram "dados alternativos": um salto nas visitas a um varejista pode mexer numa operação antes de a empresa divulgar os resultados.
  • Anunciantes e corretores de dados transformam o histórico de navegação em segmentos de público ("procurando empréstimo", "planejando uma viagem") para direcionar anúncios.
  • Compradores de proxies residenciais alugam IPs reais, domésticos e móveis, para raspagem de dados, monitoramento de preços e verificação de anúncios, e às vezes para fraudes. Quando uma VPN vende a sua conexão, o tráfego deles sai pelo seu IP.

Como isso acontece no Android

A política de VpnService do Google Play permite, sim, que uma VPN colete dados pessoais e sensíveis, mas só com um aviso em destaque dentro do app e o seu consentimento explícito. Por isso, o truque costuma ser uma tela de consentimento escrita para parecer inofensiva: "ajude-nos a melhorar o serviço", "permita análises para uma conexão mais rápida", ou uma extensão de navegador que pede para "ler e alterar dados em todos os sites". Um toque, e o histórico vai embora com a sua permissão.

Checklist: a sua VPN grátis vende seus dados?

  1. Existe um plano pago? Uma VPN freemium ganha dinheiro com assinantes. Sem plano pago e sem anúncios, alguma outra coisa está pagando.
  2. Leia a primeira tela depois de instalar. Recuse qualquer consentimento para "análises", "parceiros" ou "melhoria do serviço" que não seja necessário para conectar.
  3. Procure na política de privacidade por vender, compartilhar, parceiros, agregados e anonimizados. "Não vendemos dados pessoais" junto com uma lista de operadores nomeados é um bom sinal; "dados agregados podem ser compartilhados com parceiros", não.
  4. Veja quem é o dono. Confira o nome do desenvolvedor no Google Play e pesquise. Apps de empresas de análise ou de publicidade são sinal de alerta.
  5. Confira as permissões. Uma VPN precisa de acesso à rede e de notificações, não dos seus contatos, SMS ou localização.
  6. Nunca instale um certificado raiz ou de usuário só porque uma VPN pediu. Isso permite que ela leia o tráfego criptografado.
  7. Desconfie de redes "peer" ou "comunitárias". Se os aparelhos dos usuários grátis carregam o tráfego de outras pessoas, é o seu IP que aparece.

Como o SimpleV se paga

O SimpleV VPN é freemium, e o negócio é só isso:

  • As assinaturas Premium pagam os servidores. Os usuários grátis recebem 500 MB por dia como amostra do mesmo serviço.
  • Sem anúncios, e não vendemos dados pessoais nem os usamos para publicidade.
  • Sem registros de tráfego: não registramos os sites que você visita nem o que você envia. Contamos só o total de bytes por dispositivo, para aplicar a cota grátis.
  • Não precisa de conta no plano grátis, e o tráfego de ninguém passa pelo seu celular.
  • A política de privacidade diz o que coletamos e por quê.

Perguntas frequentes

Todas as VPNs grátis vendem seus dados?

Não. Muitos planos grátis são bancados por assinantes pagantes ou por anúncios. O risco é maior quando não há plano pago, nem anúncios, nem uma explicação clara de como a empresa ganha dinheiro.

Uma VPN paga tem garantia de não vender dados?

Garantia não, mas o incentivo é outro: os assinantes são o negócio. De qualquer forma, confira a política de privacidade e quem é o dono.

A VPN consegue ver meu histórico de navegação?

Ela consegue ver a quais sites e apps você se conecta, porque esse tráfego passa por ela. Em sites HTTPS, ela não consegue ler o conteúdo. Por isso a política de registros da VPN importa.

O que é um proxy residencial e por que isso importa?

É uma rede que faz o tráfego de outras pessoas passar por conexões comuns, domésticas ou móveis. Algumas VPNs e apps grátis colocam seus usuários nessas redes, e aí o tráfego de desconhecidos sai pelo seu endereço IP.

Como removo o certificado de uma VPN no Android?

Configurações → Segurança e privacidade → Mais configurações de segurança → Criptografia e credenciais → Credenciais do usuário (os nomes variam conforme o celular). Remova qualquer certificado que você não reconheça e depois desinstale o app que pediu para instalá-lo.